terça-feira, 7 de junho de 2011

O lugar certo

Cansado das batalhas da vida,
Pelas montanhas caminhei, em busca do silêncio,
Procurando o espírito perdido, procurando o desconhecido.
Caminhando ao lado da natureza,
Acompanhando tanto a sua beleza com frieza,
Percorri longos caminhos sempre na esperança de encontrar algo.
Debaixo do Sol, suportei o calor e ansiedade de encontrar uma sombra,
Debaixo da Chuva, bebi a sua água para limpar a alma,
Debaixo do Vento, meu pensamento era veloz...
Mas lá alto, no cimo de uma negra montanha, encontrei a escuridão.
Nem a fresca e pura neve debaixo dos meus pés trazia a alegria por tanto esperada...à volta não havia vida.

O Sol estava bem lá em baixo...somente alguns raios passavam entre as nuvens,
A Chuva, não devia percorrer aquelas encostas...
O Vento não se atrevia a ir tão longe...
Somente alguma vegetação por ali existia, perdida e esquecida pela mãe Natureza.
Não parei, e continuei o meu caminho, observando o que existia à minha volta.

Que paisagem tão monótona. Tudo era igual...mudando o relevo, nada era diferente.
Ao longe vi um ponto vermelho no meio daquele deserto de cor negra,
Caminhei apreensivo e com algum receio,
Não estava confiante naquilo que poderia encontrar mas avancei... avancei receoso mas com esperança,
Não sei o que poderia ser, mas era algo diferente.

A nossa mente só vê o que quer ...
E a minha, levada pela imaginação, não viu o que estava ali perante mim,
Uma bonita e sensível flor.
Mas o que estaria ali a fazer, perdida naquela vastidão de tristeza?
Pressionada por uma natureza esquecida de sua beleza,
Estaria ali à espera de alguém?
Seria somente uma sombra do que tinha sido aquele lugar?
Como resistia ela ao abandono e frieza que a natureza sujeitava aquele lugar?
Seria tudo isto um sinal e uma missão?
Seria o destino?

Não obtive resposta mas simplesmente algo estava errado naquele quadro,
Ali não era o lugar dela, ela merecia companhia,
Merecia ser aquecida pelo Sol, acariciada pelo Vento e abençoada pela chuva.
Perdida no meio daqueles montes, certamente não seria o seu lugar.
Enchendo o meu peito de esperança, tinha algo por lutar,
Algo para iniciar uma nova viagem, uma viagem para encontrar um lar para aquela flor,
Um lar onde sua beleza fosse contemplada e apreciada.

Percorrendo em sentido contrário o que à muito tinha percorrido,
Voltei com ela ao meu colo, levando para um pequeno vale onde o Sol era uma visita constante,
Vale onde existia uma harmonia encantadora,
Vale onde existiam muitas flores para fazerem companhia aquele pequeno ser.

Apesar de pequena, sua suave e doce beleza, traziam para aquela vale mais um pouco de alegria,
E olhando deslumbrado para aquele cenário pensei...sim...este é o meu destino...
Irei transformar aquela flor, na princesa deste vale,
Pelo que lutou sozinha na vastidão da montanha,
Ela merece que sua sensualidade percorra todo o vale iluminada pelos longos raios solares,
Que o seu perfume seja levado pelo vento,
Que seu polen seja tratado pelos insectos que por ali habitam.

Irei continuar a percorrer os meus caminhos...
Mas agora com a esperança de conseguir transformar a beleza esquecida,
Na inspiração e força de muitos.

Um comentário:

Elsa disse...

não dês os passos pelos outros ... ninguém voa sem usar as suas proprias asas.. essa flor nunca iria sobreviver noutro qq lugar, só pq um dia pensaste que seria o melhor para ela!!!!!

qts vezes na nossa vida (diria mm dia) procuramos a solidão e só nesse lugar podemos estar em PAZ!!!!

bjos