Numa sala estava fechado, trabalhando, enquanto lá fora chovia,
Fazia frio, mas não tanto como o gelado olhar das pessoas presentes,
Nada existia à volta, somente aquela mesa de trabalho,
Centro das atenções, onde se encontravam um monte de letras espalhadas por folhas de papel,
Como simples objectos insignificantes causavam tanta discussão,
Tanto desprezo de uns, alguns sorrisos vitoriosos de outros,
Mais uma batalha, numa guerra onde não há vencedores.
Lá fora o Sol tentava aparecer,
Tentava dar um pouco de luz para aqueles que longe dela caminham,
Seus raios luminosos brilhavam nas folhas de papel,
Reflectindo somente a pureza de sua luz.
Mas tu, no corredor, tapaste parte deste brilho,
Tua silhueta, recebia directamente parte dessa luz pura.
A transparência da tua blusa, deixava transparecer teus braços delicados,
Tuas pernas criavam sombras harmoniosas,
Com esta imagem, para longe fui nos meus pensamentos,
Como seria teu rosto? bonito? sensual? cativante?
Não interessava...mais interessante seria imaginar.
Porquê descobrir...quando poderíamos imaginar o que queríamos.
Por vezes nada queremos,
Somente a alegria de pensar e de imaginar alegremente,
Para quê desvendar o mistério? para quê saber a verdade?
Como é bom olhar e imaginar,
Como é bom olhar e voar,
Como é bom olhar e ir bem longe...ir até querermos parar.
Por vezes, são simples acontecimentos, que orientam a nossa vida,
Acontecimentos que nos dão motivos para viver,
Momentos que jamais esqueceremos,
Situações que desejamos não esquecer.
Mas a vida, sábia como ela é,
Não nos deixa aí viver, ficar ou repousar,
Temos que olhar, saber imaginar e voar,
Só assim saberemos saborear um simples momento,
Apreciar tão singela beleza cujo rosto desconhecemos.
Imaginamos a sua alegria de viver pelo nosso simples olhar,
Pensamos na sua sensualidade pelo seu atraente corpo,
Tentamos descobrir sua personalidade pela sua maneira de vestir,
Sabemos apreciar a sua sensibilidade pela plenitude do momento em que aprecia um simples rasgar da escuridão pela luz pura do Sol.
Por fim, desapareceste e não mais voltaste,
Não sabia quem eras e nunca saberei,
Mas por momentos, enquanto viajei até ti,
Longe fiquei daqueles frios olhares,
Daquela sala sombria...e tranquilidade encontrei.
Não te irei procurar...
Porque a felicidade não se procura,
Ela vai sendo construída ao longo da nossa vida.
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